Noticias

E Santo António voltou a casar

Brilhou o sol, brilhou a cidade, brilhou o amor e brilharam os casais de Santo António em mais uma jornada que só Lisboa e o seu santo casamenteiro conseguem realizar, para deleite dos muitos populares que à porta da Sé aplaudiram noivas e noivos. Viva Santo António, viva Lisboa, vivam os noivos e o futuro!

12 de junho de 2016, o sol brilha em Lisboa e a cidade volta a cumprir a tradição. Santo António casamenteiro abençoou de novo as “suas noivas”, porque festas da cidade sem matrimónios não são festas, porque Lisboa é cidade de paixão e de amor.

Começou mais cedo este ano a jornada casamenteira. Batia o sol às 10h30 na cúpula da Sé de Lisboa e as primeiras noivas de Santo António entravam, nervosas, naquela que é há muito a verdadeira “catedral lisboeta do matrimónio” e local de batismo de Santo António. Ansiosos esperavam os noivos, entusiasmado aplaudia o povo.

“Irmãos caríssimos, reunimo-nos com alegria na casa do Senhor para participarmos nesta celebração”, diz o Cónego Nuno Isidro sob o olhar atento de Fernando Medina, “padrinho” de todos os casais. 

Família e os novos lares foi o tema escolhido para a homilia deste ano, a Sé transpira calor humano e emoção, nos bancos da catedral as lágrimas não se contêm e inundam olhares progenitores, um imenso rio a transbordar futuro porque é esse o auspício que Santo António faz pairar sobre a sua cidade. 

Duas horas de cerimónia, intensa, muitos flashes e olhares cúmplices, beijos pelo meio, tempo ainda para os Casais de Ouro renovarem os votos, no final cada casal entrega a Nossa Senhora uma geribéria.

“Vivam os noivos” grita-se na saída ao som de Love is in the Air interpretado pela Banda da Carris, muitas palmas e mais lágrimas, muitos sorrisos, beijos e abraços aos onze casais já abençoados pelo santo de Lisboa, António de nome e casamenteiro de função. A hora é de fotografia, em grupo com o presidente da Câmara e restante vereação. 

Seguem-se os matrimónios civis nos Paços do Concelho e falta pouco para a boda, mas antes ainda é preciso rumar um pouco mais abaixo porque manda a tradição que Santo António receba flores. Mais geribérias, no caminho a Banda toca Viva la Vida dos Coldplay, seguindo a batuta do maestro Pedro Ferreira 

“Tenham muita paciência um para o outro” diz dona Maria da Conceição engalfinhada nas barreiras que sustêm a multidão, entre mais aplausos e vivas aos noivos.  E segue a banda, seguem os noivos em desfile para os Paços do Concelho, a cidade respira festa e no fim da rua ouve-se às portas de um café “Tic Tic Tac (Bate Forte O Tambor)”, música brasileira já à espera da noite mais longa de Lisboa porque afinal a cidade é cosmopolita e do mundo. 

Casamento Civil 

A temperatura continuou a subir ao longo do dia que se pôs belo para acolher os novos casais, passavam alguns minutos das 14h15 quando ao som do Canon de Pachelbel as noivas entravam no Salão Nobre dos Paços do Concelho, para aí realizarem o casamento civil na presença da conservadora Cecília da Rocha Coelho. Emotivos, os noivos aguardavam expectantes as suas futuras caras-metade, sob o olhar atento de familiares, convidados e do presidente da CML. 

“Rita, com esta aliança te entrego o meu coração e espero que o guardes para sempre. Amo-te”, disse Diogo Ferreira enquanto delicadamente fazia correr a aliança pelo dedo que a haveria de guardar. Rita respondeu: “Quero poder dizer todos os dias que és muito importante para mim”. Os olhos fixos no seu par. E foi assim, um a um que cada casal formulou os votos que selaram o seu compromisso para vida. 

No final a conservadora fez também os seus votos: “Não se preocupem com coisas pequenas, sejam antes, muito, muito felizes”. 

Da varanda dos Paços do Concelho, ao som da Tuna Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, os noivos vieram acenar aos muitos lisboetas que com eles quiseram partilhar este momento. E de olhos postos no céu viram subir os balões cor-de-rosa, cada um transportando e levando ao vento, os votos que haviam momentos antes trocado. 

No átrio de entrada, os dezasseis casais estiveram juntos pela primeira vez, os do casamento civil e os do casamento religioso. Juntos numa só cerimónia onde Fernando Medina, de taça elevada, lhes agradeceu por partilharem com a cidade este dia tão especial. “Estão a contribuir para uma tradição dando um sinal de renovação da cidade, que seja este o local de concretização dos vossos sonhos e da vossa felicidade”, disse. E de seguida brindou: “Vivam os noivos! Viva Lisboa!”

Os casais seguiram até ao pelourinho da Praça do Município onde pela primeira vez em vinte anos de casamento de Santo António, fizeram uma fotografia de família. 


Dança comigo

A canção não se ouviu mas o momento era digno da voz de Roberto Carlos com o seu célebre calhambeque, porque foi em reluzentes carros antigos que todas e todos rumaram em direção à Estufa Fria, passando pela Avenida da Liberdade onde mais aplausos mimaram os novos casais de Lisboa e de Santo António. 

Local idílico a sugerir muitas fotos, trocas de olhar cúmplices e mais beijos, sempre muitos, à beira dos lagos e entre a verdura. 

Prepara-se a valsa porque casamento sem valsa não o é, Duarte Cordeiro e Catarina Albergaria, vice presidente e vereadora da Educação,  acompanham o momento que é antecedido pela atuação de um grupo de bailarinos. Todos dançam, mais sorrisos e ternura, segue-se um flash mob ao som de Sugar de Maroon 5.

É tempo de brinde, é tempo de retemperar forças e consolar estômagos. Já, já, vêm aí o bolo e à noite as marchas esperam os noivos, o povo também porque sem povo não há casamentos, não há marchas, não há Lisboa.